Mundo Livre S/A - O outro mundo de Manuela Rosário - 2004 - Full Album by PlayCultura   5 years ago

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1. Inocência 00:00
2. Digital ao vinagrete - 4:58
3. Muito obrigado - 8:46
4. Azia amazônica - 13:26
5. E a vida se fez de louca - 16:57
6. Caiu a ficha - 21:50
7. O triste fim de Manuelita - 25:22
8. Embustation (atitude de C...é R...) - 30:06
9. O outro mundo de Xicão Xucuru - 35:50
10. Caindo em si - 41:25
11. CNFS - Comunicado 2 - 45:43
12. Balada de Pablo e Manuelita - 50:10
13. Marcha contra o muro do império - 56:05
14. Eisenhower e o Colosso (Bonus) - 1:01:30

De todos os trabalhos lançados pela Mundo Livre S/A, O Outro Mundo de Manuela Rosário, de 2004, talvez seja o mais isolado conceitualmente. Político do primeiro ao último verso, o álbum é um passo além em relação ao que Por Pouco trouxe de forma comercial dois anos antes, encontrando na personagem fictícia que garante título ao disco, a mexicana Manuela Rosário, um princípio de crescimento poético. Por toda a obra, guerras, problemas sociais e econômicos guiam a voz de Zero Quatro, que vai de George Bush a Chico Mendes em um mesmo universo de referências e críticas. Ainda que o ritmo dado ao disco seja o mesmo dos primeiros álbuns, o detalhamento passa a ser outro, muito mais sóbrio e menos dançante, algo explícito em E a vida se fez de louca. Parte desse livre experimento por parte da banda vem da natural aproximação com a cena independente. Depois de quatro discos distribuídos por uma grande gravadora, ao alcançar o quinto álbum o grupo reforçou parceria com o selo local Candeeiro, bem como a distribuição pela Trama. Não por acaso, a ausência de prováveis “hits” orienta a proposta do grupo, que encontra no próprio afastamento uma criativa transformação.

Música e política
Defendendo que a música deve dialogar com a sociedade, "e não só acumular capital para grandes empresas", Zeroquatro perpassa as novas canções de críticas políticas e sociais.
O slogan "Outro mundo é possível", do Fórum Social Mundial ocorrido em Porto Alegre neste ano, habita o título e várias passagens do CD. Há referências antiamericanas (em "Marcha contra o Muro do Império"), objeções à moda ("Embustation - Atitude de C... É R..."), faixa sobre o 11 de Setembro ("Caiu a Ficha") e canção sobre o assassinato de um líder indígena local ("O Outro Mundo de Xicão Xukuru").
"Já comecei a receber e-mails me xingando pela música do cacique. Um adolescente fascista disse que índio é marginal."
Sobra também para a OMB (Ordem dos Músicos do Brasil): a faixa "Muito Obrigado" ataca a obrigatoriedade de registro profissional para músicos definida pela entidade. Zeroquatro afirma que nenhum dos integrantes da banda possui carteirinha da OMB. "Não tenho, nunca tive, não vou ter." A letra de "Muito Obrigado" prega que "a ordem" não é necessária para pintar, esculpir, compor, dançar, cantar -e cita como exemplos Luiz Gonzaga, Dorival Caymmi, Adoniran Barbosa, Ivone Lara, Chico Science etc.
Narrada em tom de fábula, "Muito Obrigado" contrapõe "canários" e "sabiás" com dom natural de cantar aos "urubus" que os controlam.
A Folha enviou a letra de "Muito Obrigado" ao presidente da OMB, Wilson Sândoli, para que ele a comentasse. Até o fechamento desta edição, Sândoli ainda não havia respondido.
"Já me disseram que posso ser preso a qualquer momento por não ter registro. Eu adoraria. Me daria publicidade e ia levantar de uma vez por todas essa questão da OMB", diz Zeroquatro.

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